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quarta-feira, 1 de julho de 2009

Reportagem: Bem-vindo Jabuti

Se você cogita ter um bicho desses em casa, precisa conhecer os cuidados que ele requer para viver com muita saúde até... 80 anos (sim, ele pode chegar lá)

por Adriana Toledo | design Thiago Lyra | foto Gustavo Arrais

Na certa você já viu um jabuti passeando sem pressa em um quintal ou jardim e o confundiu com uma tartaruga. Na verdade são animais diferentes. O primeiro vive na terra, enquanto o segundo é aquático, de água doce ou salgada. Assim como muitos outros bichos silvestres, o jabuti está na lista das espécies brasileiras ameaçadas de extinção e, por isso, é protegido pelo Ibama, que autoriza apenas a criação de dois tipos, o jabuti- piranga e o jabuti-tinga. Na hora da compra, exija uma nota fiscal emitida pelo órgão para se certificar de que a transação foi feita de acordo com a legislação e, claro, observe se o animal está com boa saúde (veja o quadro abaixo).

Fácil de criar, o jabuti pode ser mantido no quintal ou no terrário. O que não é opcional é a iluminação — ele precisa de luz solar direta todos os dias. "Os raios ultravioleta ativam substâncias precursoras da vitamina D, nutriente que fixa cálcio nos ossos, o que é fundamental para o jabuti não ficar com o casco mole", explica o veterinário Alexandre Pessoa, um especialista em répteis, de São Paulo. Além disso, a fonte externa de calor faz todo o seu organismo funcionar de forma mais adequada. Então, se o terrário não dispuser de luz natural, você pode instalar lâmpadas específicas ou mesmo uma comum de 50 watts, que manterá a temperatura entre 25 e 28 graus. Uma casinha de cachorro é um bom abrigo, desde que seja bem aquecida. "Senão o jabuti fica apático e imunodeprimido", avisa Alexandre Pessoa. Em outras palavras, tornase presa fácil de doenças como pneumonia, provocada por vírus ou bactérias. Já sintomas como diarréia, corrimento nasal e espuma na boca podem indicar uma interite, inflamação no intestino.

Embora o jabuti ande devagar, quase parando, pisos lisos são um perigo. "Eles forçam os membros do animal", diz o veterinário André Grespan, do Parque Zoológico de São Paulo, que recomenda um chão rústico de terra ou grama, mesmo que seja artificial. E a alimentação? "Ofereça uma refeição ao dia, com frutas, legumes, queijo branco e verduras, especialmente as verde-escuras." Uma vez por semana, carne moída misturada com suplemento de cálcio deve entrar no cardápio. Se preferir, compre rações específicas.

Os jabutis são dóceis, convivem bem com crianças e outros animais. "Mas, se for mordido por um cão ou cair, pode até morrer", alerta o veterinário Celso Martins, da Universidade Metodista de São Paulo. Os cuidados com a higiene são simples. "Recolha sempre as fezes e os restos de comida e dê banho em dias quentes", ensina Celso. Para isso você tanto pode passar um pano úmido como jogar água morna — mas só quando ele estiver visivelmente sujo.

CONHEÇA O BICHO

Nomes científicos: O do jabuti-piranga é Geochelone carbonaria; e o do Jabuti-tinga é Geochelone denticulata.
Também são conhecidos como: Jabuti vermelho e jabuti amarelo, respectivamente.
Tamanho: O jabuti-piranga chega a 51 centímetros; o jabuti-tinga pode alcançar os 70.

FAÇA A ESCOLHA CERTA

Na hora de comprar seu jabuti, observe estes aspectos:
  • Recuse o bicho muito pequeno, porque ele é bem mais frágil.
  • Dê preferência ao animal que esteja se locomovendo bem.
  • Opte por aquele que estiver com os olhos bem abertos e sem secreções.
  • Apalpe o casco. Ele deve estar firme.
Fonte: Revista Saúde - Ed. Abril

Reportagem: Salmonelose Humana causada por Répteis

Devido à expansão nos últimos anos, do mercado de animais exóticos como "pets", centenas de tartarugas são comercializadas em grandes centros como a cidade de São Paulo.,

Não existe, no entanto, até o momento, controle de sanidade destes animais, quanto ao seu potencial zoonótico. É importante salientar os prejuizos para a Saúde Pública, representado pela comercialização irresponsável destes répteis, colocando em risco a saúde de pessoas, principalmente dos animais e principal grupo de risco.

A Tartaruga de "Orelha Vermelha" (Trachemys scripta elegans) é uma das mais populares entre as pessoas que optam por esse tipo de réptil como animal de estimação, tendo sido facilmente encontrada no comércio de São Paulo. Esta espécie possui hábitos diurnos, chega a ter 25 centímetros de tamanho de casco.

A maturidade sexual ocorre com 4 anos. O macho possui as unhas dos membros anteriores avantajadas (para agarrar a carapaça da fêmea na cópula) e a cauda mais comprida o que facilita a introdução do pênis, pois a cloaca fica mais caudal. As fêmeas têm postura de 5 a 22 ovos com período de incubação de 93 dias à temperatura de 25 a 30ºC.

Em cativeiro, vive bem em aquaterrários, recintos que possuem uma parte terrestre e outra aquática, desde que este atenda às suas necessidades de espaço. Alimenta-se nestas condições de produtos comerciais, pequenos peixes, plantas e insetos aquáticos, além de alguns vegetais.

A temperatura ideal está na faixa de 25 a 30ºC. Deve receber radiação solar ou permanecer em ambientes com lâmpadas de UVB afim de ficar cálcio, evitando doenças osteodistróficas. As condições em cativeiro, por melhor que sejam, raramente reproduzem na totalidade o ambiente natural do animal, o que culmina com o desenvolvimento de níveis constantes de estresse.

Os animais, que em situações normais vivem em harmonia com os vários agentes que os cercam, quando submetidos à fatores estressantes, são levados à incapacidade do sistema imunológico, podendo ocorrer quadros infecciosos.

Os répteis, em geral, são portadores assintomáticos de Salmonella spp, manifestando a doença somente em casos de queda de imunidade. Segundo alguns autores, estudos realizados demonstraram que portadores sadios desta bactéria apresentam a infecção de forma latente. O estresse produzido através do transporte, colocação em novo ambiente, mudança alimentar ou de manejo, ou simples exposição em um "Pet Shop", pode levar à ativação do processo infeccioso latente, com conseqüente eliminação de Salmonella pelas fezes.

A situação se agrava ainda mais com os comerciantes irresponsáveis que importam os animais de forma ilegal e em péssimas condições, lembrando que está proibida a importação de répteis, e por proprietários desinformados, é comum ver em clínicas particulares proprietários relatando que os animais não vivem por muito tempo morrendo com facilidade e durante a anamnese constatamos que eles desconhecem os cuidados básicos e necessidades dos animais.

Uma vez tendo sido eliminada por animais infectados, a Salmonella apresenta alta resistência no ambiente. Estudos mostraram que esta se mantém virulenta por 89 dias em água de tanques, 120 dias em solo seco, 280 dias em gramados, 28 meses em fezes de aves e 30 meses em esterco de vaca. Devido a isso, não somente o contato direto com os animais, mas também a manipulação do seu recinto pode levar à infecção humana.

Estes dados apresentam grande importância na epidemiologia das infecções humanas por Salmonella spp, uma vez que o manipulador do recinto corre sérios riscos de infecção nestas condições, já que a esta bactéria pode penetrar através de soluções de continuidade de pele ou pela mucosa digestiva.

Os sintomas de salmonelose humana incluem dor abdominal, diarréia, disenteria, náuseas, vômitos, cãibras e febre. Sérias complicações como meningites e abcessos cerebrais em crianças também são reportados. O médico veterinário tem um papel fundamental no controle da salmonelose animal e humana, este deve informar ao proprietário sobre as necessidades básicas do animal e também orientar sobre medidas profiláticas de higiene.

Não devemos esquecer que a baixa notificação de casos de salmonelose humana causada por esses "pets" pode estar diretamente relacionada a sub-notificação dos casos por parte dos médicos devido aos sinais clínicos serem muito inespecíficos e que nem sempre ocorre a indagação do paciente sobre um possível "Pet".

Acredita-se que o número de casos seja maior do que é relatado.

M.V.André Grespan

Boletim Informativo ANCLIVEPA - Ano VI - Nº25 - Abril/Setembro 2001 - Pág.14